Gravações de “Dolly” começam na Alemanha: novo drama de época da Netflix quer herdar o posto de “The Empress”

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As câmeras já estão rodando e a Netflix cravou a cartada que faltava para evitar um buraco na grade de period dramas: Dolly Netflix iniciou filmagens na Alemanha e pretende desembarcar no catálogo em 2027. Com seis episódios planejados, o projeto surge no instante em que “The Empress” se prepara para encerrar a própria história na terceira temporada.

O serviço norte-americano vê potencial de sucessão na minissérie criada por Hanno Hackfort, Richard Kropf e Bob Konrad o trio que assinou “Kleo” e ganhou passe livre nos corredores de Berlim após derramar sangue de espiões em plena Guerra Fria. Agora, a aposta vai para 1899, ano de ruas lamacentas, lampiões a gás e medo de um serial killer.

Da corte austríaca às vielas berlinenses

Se “The Empress” girava em torno de bailes imperiais, “Dolly” troca seda por fuligem. A trama acompanha Dolly Pinkus, jovem considerada rebelde para os padrões da virada do século que sobrevive ao ataque de um assassino em série. A polícia cruza os braços, a protagonista resolve caçar o criminoso por conta própria e arrasta duas figuras fundamentais: a amiga Mieze e o recém-promovido inspetor Carl.

O tom, segundo fontes ligadas à produção, mistura investigação policial à brutalidade urbana retratada em romances de Émile Zola. Nada de jardins floridos. Esperam-se becos apertados, cortiços superlotados e cortes bruscos de luminosidade para destacar o contraste entre riqueza industrial e pobreza operária.

Equipe criativa repete química de “Kleo”

Conhecidos internamente como HaRiBo (pelas iniciais dos sobrenomes), Hackfort, Kropf e Konrad trabalham com showrunners, roteiristas e produtores executivos. A roteirista Malina Nwabuonwor reforça a sala de roteiro. A direção alterna entre Isabel Braak e Mia Spengler, nomes com passagens pela TV aberta alemã e que ganharam visibilidade em festivais locais.

Nos bastidores, cada departamento tenta evitar anacronismos. A diretora de arte Isabel von Forster pesquisa litografias e fotografias originais de Berlim antes da Segunda Guerra. Já Gabriela Reumer adapta o figurino para equilibrar veracidade visual e mobilidade de elenco em cenas de ação, sempre problema quando corsets são envolvidos. Uta Spikermann e Grit Kosse comandam cabelo e maquiagem, recorrendo a perucas trançadas e bigodes encerados.

Produção dividida em blocos de filmagem

A BetaBerlin Productions e a Candy Shop GmbH tocam a logística. O primeiro bloco foi fechado em Görlitz, cidade que sobreviveu praticamente intacta às destruições do século XX e costuma servir de dublê arquitetônico para épocas passadas. Após quatro semanas, a equipe migrou para estúdios e locações do cinturão Berlim-Brandemburgo, onde permanecerá até o fim do inverno europeu.

Elenco: rostos de “The Empress”, “Zero Chill” e cinema premiado

Netflix segurou nomes de personagens, mas já confirmou quem veste as roupas de 1899. A lista mistura veteranos do circuito alemão com jovens que ganharam visibilidade em dramas recentes dentro e fora da plataforma.

  • Derya Akyol – vista na minissérie “Euphorie”
  • Samirah Breuer – destaque de “The Gryphon”
  • Sean Douglas – ator de “Heimsuchung”
  • Max Hubacher – premiado por “The Captain”
  • Merlin Rose – apareceu em “The Empress” e “Dark”
  • Béla Kampschulte – conhecido por “Nighties”
  • Karolina Lodyga – integrante do elenco de “4 Blocks”
  • Andreas Lust – indicado ao European Film Award por “Revanche”
  • Maria Matschke Engel – atriz de “Frier und Fünfzig”
  • Odine Johne – lembrada por “The Wave”
  • Jerry Kwarteng – participou de “Zero Chill” e “Foundation”

A escolha de Merlin Rose, já associado ao universo de Elisabeth da Baviera, sinaliza ponte consciente entre o fim de “The Empress” e a chegada de “Dolly”. O resto da trupe vem de projetos que vão do cinema de autor ao drama juvenil, estratégia que a Netflix Alemanha adota para atrair públicos distintos com um único título.

Quando a série estreia?

Testes de figurino, construção de cenários e a neve do inverno alemão empurram a pós-produção até o segundo semestre de 2027. Dentro da própria Netflix, a expectativa é liberar o thriller de época entre outubro e dezembro. A estreia tardia oferece duas vantagens: distância respeitosa do último episódio de “The Empress” e espaço na agenda internacional fora da briga de verão norte-americano.

Até lá, a plataforma planeja aquecer o interesse com teasers que destacam a atmosfera noir dos becos berlinenses. Quem acompanha o mercado local lembra que “Babylon Berlin” usou estratégia semelhante fotos de bastidores, reels de caracterização e comentários de historiadores para transformar patrimônio arquitetônico em argumento de marketing.

“The Empress” se despede, mas o gênero não sai de cena

A saída de Sisi do cardápio trouxe certo frio na barriga de executivos em Munique. O drama imperial atraiu audiência de países sem tradição em consumir conteúdo em alemão, inclusive Brasil e México. “Dolly” herda o fardo de manter essa curva ascendente. A diferença é que sai da esfera real para tratar de crime e marginalidade, nicho sempre popular entre assinantes latino-americanos.

Se o roteiro entregar tensão e ritmo, a série pode repetir o fenômeno de “Kleo”, que transformou uma assassina da Stasi em ícone pop. A Netflix Alemanha confia tanto na força do trio HaRiBo que já reserva slots de calendário para uma eventual segunda temporada, embora nenhuma renovação esteja na mesa antes da estreia.

O que observar até 2027

Ainda faltam detalhes sobre quem interpreta Dolly, Mieze ou Carl, mas as filmagens em locações históricas costumam atrair curiosos e gerar imagens vazadas. Fotos de ruas cobertas por falsos paralelepípedos podem surgir nos próximos meses, oferecendo pistas sobre a escala de produção.

Outro ponto de atenção é o trabalho de correção de cor. “Dolly” tenta emular a paleta acinzentada de Berlim industrial, com toques de néon gasoso criado em pós-produção. Profissionais de VFX serão acionados para remover antenas modernas ou prédios de vidro que escaparem ao controle do cenário físico.

Por fim, a pergunta que circula nos bastidores: quantas histórias cabem em seis episódios? A minissérie promete arco fechado, mas o histórico da plataforma mostra que um mistério bem-amarrado pode renascer, seja em forma de prelúdio ou antologia. Se Dolly Pinkus conquistar o público, cinco meses de pré-produção para um segundo ano é o prazo discutido informalmente.

Até lá, fãs de saias rodadas e crimes hediondos podem respirar aliviados. O fim do reinado de Sisi não deixará órfãos. A coroa passa para uma investigadora autodidata disposta a enfrentar a escuridão dos becos berlinenses e a Netflix aposta alto nessa troca.

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Me chamo Riandson Nascimento e sou redator do DicasFlix, especializado em filmes, séries, streaming e entretenimento. Produzo conteúdos informativos sobre lançamentos, novidades e tendências que movimentam o universo audiovisual, acompanhando de perto as principais plataformas para trazer informação atualizada. Meu objetivo é ajudar você a decidir o que assistir sem perder as novidades mais relevantes.