Filho do aclamado Philip Seymour Hoffman, o ator Cooper Hoffman aproveita o lançamento da comédia sexual I Want Your Sex para reforçar que sua carreira segue um caminho próprio. Depois de chamar atenção em Licorice Pizza, de Paul Thomas Anderson, o nova-iorquino de 21 anos emenda projetos com diretores badalados e promete diversidade de papéis, sem ignorar a sombra deixada pelo pai.
Em entrevista recente à Rolling Stone norte-americana, o jovem contou como as memórias de Philip influenciam sua relação com o trabalho e revelou bastidores de três produções que devem consolidar seu nome em Hollywood: a já mencionada I Want Your Sex, o drama universitário Poetic License (estreia de Maude Apatow na direção) e Artificial, novo filme de Luca Guadagnino sobre inteligência artificial.
I Want Your Sex coloca o ator em território ousado
Prevista para chegar aos cinemas dos Estados Unidos durante o verão do hemisfério norte, I Want Your Sex acompanha Elliot, recém-formado que se vê preso a um relacionamento sem paixão e a empregos pouco inspiradores. Tudo muda quando ele é contratado pela artista conceitual Erika Tracey, vivida por Olivia Wilde, e se torna submisso amoroso da chefe em um universo de dominação, chicotes e roupas fetichistas.
Cooper garante que mergulhar em cenas de nudez, ball gags e strap-ons foi menos intimidador do que o público imagina. “Quando você precisa ficar nu ou fazer algo sexual diante de câmeras, metade do trabalho já está feita porque não há como fingir”, brincou. Para entrar no clima, ele criou uma playlist com Arctic Monkeys, Frank Ocean e até Beach Boys, trilha que o ajudou a entender o estado de entrega total de Elliot.
Parceria com Chase Sui Wonders e Charli XCX
Na tela, Elliot vive entre dois mundos: o companheirismo platônico com Apple (Chase Sui Wonders) e a relação sufocante com Minerva (a cantora Charli XCX, em estreia como atriz de longa). Segundo Hoffman, a química com o elenco foi imediata, o que ajudou a equilibrar o humor do roteiro com a carga sexual explícita.
Novos filmes expandem o alcance de Cooper Hoffman
Logo depois da turnê promocional de I Want Your Sex, o ator acompanha a finalização de Poetic License. A trama, ambientada em um campus universitário, marca a estreia de Maude Apatow na direção de longas. Cooper não entra em detalhes sobre o enredo, mas elogia a colega, conhecida por Euphoria. “Ela sabe exatamente o que quer e cria um espaço seguro para improviso. Foi um set incrivelmente colaborativo”, comentou.
Na sequência, ele se une a Luca Guadagnino em Artificial, longa que abordará as fronteiras éticas da inteligência artificial. O projeto ainda não tem data de lançamento, mas já desperta expectativa por reunir o cineasta de Me Chame Pelo Seu Nome e um elenco que inclui Jessica Chastain e Andrew Garfield. Para Hoffman, trabalhar com Guadagnino é “a chance de estudar um diretor que sabe transformar desejo em cinema, seja qual for o tema”.
Da infância discreta ao primeiro teste com Paul Thomas Anderson
Crescido em um apartamento de três quartos no West Village, Hoffman passou a adolescência sem certeza sobre o futuro. A virada veio quando Paul Thomas Anderson, amigo próximo da família, telefonou convidando-o para testar um papel em Licorice Pizza. Sem experiência formal, o jovem leu cenas ao lado de Alana Haim e garantiu o papel principal. O resultado rendeu indicações ao Globo de Ouro e o colocou no radar de produtores.
Imagem: SACHA LECCA
“Eu não sabia que queria ser ator até entrar naquela sala”, recorda. “Foi ali que entendi como contar uma história pode ser divertido e sério ao mesmo tempo.” Desde então, ele tem se tornado presença constante em salas de audição, descrito por diretores como “natural” e “instintivo”. Francis Lawrence, que o escalou para o futuro suspense The Long Walk, diz que o intérprete exibe “sofisticada compreensão do comportamento humano”.
Convivendo com o rótulo de nepo baby e a memória do pai
Em um momento em que os filhos de celebridades são rotulados como nepo babies, Cooper e o amigo Michael Gandolfini (filho de James Gandolfini) notam que recebem menos ataques virtuais do que outros herdeiros. “Acho que as pessoas sentem pena, porque nossos pais morreram cedo. Se eles estivessem vivos, seríamos chamados de nepo o tempo todo”, ironiza.
Aos 11 anos, Cooper perdeu o pai para uma overdose. A dor permanece, principalmente quando torce pelo New York Knicks, paixão herdada. “Esperei 23 anos por um Knicks competitivo. Sempre lembro do meu pai quando assisto”, disse, admitindo que a comparação profissional é inevitável. Ainda assim, ele vê o paralelo como honra, não peso. “Meu pai é meu ator favorito. Quero descobrir quem sou fora disso e deixar um legado de bons trabalhos, mas sem levar tudo tão a sério.”
Relacionamento com Nico Parker
Nos bastidores, Hoffman mantém namoro com Nico Parker, filha de Thandiwe Newton, a quem conheceu em Poetic License. Ele define a parceira como “melhor amiga e cúmplice” na jornada por Hollywood, reforçando a busca por equilíbrio entre vida pessoal e carreira. “Arte é importante, mas não quero me sacrificar a ponto de sangrar pelo ofício. Prefiro viver plenamente e, quem sabe, isso se refletem papéis mais verdadeiros.”
Prioridades e futuro: entre arte e normalidade
Hoffman reconhece que a indústria mudou desde o auge de Philip Seymour Hoffman, com redes sociais e podcasts criando um “jogo” de autopromoção. Ele, porém, tenta se manter distante do ruído. “Não sei como meu pai lidaria com entrevistas como Call Her Daddy. Respeito o caminho dele, mas preciso encontrar o meu”, afirma.
O ator finaliza dizendo que almeja vida longa, dentro e fora das telas. “Quero vitórias profissionais, mas também família, música, basquete, bons pratos. Se deixar bons filmes no caminho, melhor ainda.” Até lá, títulos como I Want Your Sex, Poetic License e Artificial devem revelar ao público brasileiro se Cooper Hoffman conseguirá brilhar por mérito próprio, mantendo viva a chama de um sobrenome que já faz parte da história do cinema.
